Estabilidade por acidente de trabalho: funcionário pode ser demitido?

Estabilidade acidente de trabalho: entenda quem tem direito, o papel da CAT, o benefício 91 e o que fazer se você foi demitido

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Estabilidade acidente de trabalho é um dos direitos mais importantes para quem se machuca ou adoece por causa do trabalho. Porém, muitos trabalhadores ainda acreditam que basta ter a CAT aberta para garantir essa proteção.

Na prática, a situação é bem mais complexa do que parece. Existem condições específicas que precisam ser cumpridas para que o trabalhador conquiste de fato a estabilidade por acidente de trabalho.

A boa notícia é que, ao entender como esse direito funciona, você consegue se proteger de forma adequada. Além disso, fica muito mais fácil identificar se a empresa está agindo de maneira correta ou não.

Neste guia completo, você vai encontrar tudo o que precisa saber sobre o tema. Aqui está o que será abordado:

  1. O que é a CAT e qual a sua função
  2. O que é a estabilidade acidente de trabalho e quem tem direito
  3. Quais são as condições obrigatórias para garantir a estabilidade
  4. A CAT sozinha garante estabilidade?
  5. O que fazer se o INSS não conceder o benefício 91
  6. Estabilidade de 12 meses e o que acontece durante esse período
  7. Quando buscar orientação jurídica

O que é a CAT e qual a relação com a estabilidade acidente de trabalho

Antes de falar sobre a estabilidade em si, é importante entender o que é a CAT. A sigla significa Comunicação de Acidente de Trabalho, e ela é um formulário utilizado para informar o INSS sobre o ocorrido.

Esse documento serve para oficializar que um trabalhador sofreu um acidente de trabalho ou desenvolveu uma doença relacionada à atividade profissional. Por meio da CAT, o trabalhador pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Entre esses benefícios, o mais relevante para quem busca a estabilidade acidente de trabalho é o auxílio-doença acidentário, também conhecido como benefício de espécie 91. Esse benefício tem papel central em todo o processo.

A CAT precisa ser emitida em diversas situações. Isso inclui acidentes de trabalho propriamente ditos, doenças ocupacionais e até mesmo acidentes de trajeto.

Além disso, o empregador é quem deveria emitir a CAT logo após o acidente ou o diagnóstico da doença. Contudo, se a empresa não fizer isso, o próprio trabalhador, seus dependentes, o sindicato ou o médico que prestou atendimento também podem emitir o documento.

O que é a estabilidade acidente de trabalho e como ela funciona

A estabilidade acidente de trabalho é o direito que protege o trabalhador contra demissão sem justa causa após sofrer um acidente ou desenvolver uma doença ocupacional. Esse direito está previsto no artigo 118 da Lei 8.213/91.

Na prática, isso significa que o empregador não pode mandar o funcionário embora por um período determinado após o retorno ao trabalho. Dessa forma, o trabalhador tem uma proteção especial justamente no momento em que mais precisa.

Segundo o Advogado Trabalhista Gabriel Pistore, a estabilidade por acidente de trabalho garante ao funcionário a manutenção do emprego por 12 meses após o fim do afastamento pelo INSS. Portanto, é um direito que começa a contar a partir do retorno.

Essa proteção existe porque o trabalhador que sofreu um acidente ou adoeceu por causa do trabalho está em uma condição mais vulnerável. Por isso, as leis trabalhistas criaram esse mecanismo de proteção.

Quais são as condições para ter direito à estabilidade acidente de trabalho

Muita gente acredita que basta ter a CAT para garantir a estabilidade, mas não é assim que funciona. Existem condições específicas que precisam ser preenchidas para que o direito seja reconhecido.

A primeira condição é que o trabalhador precisa ter se afastado do trabalho por mais de 15 dias. Se o afastamento foi menor do que isso, não há direito à estabilidade acidente de trabalho.

A segunda condição é que o trabalhador precisa ter recebido o auxílio-doença acidentário, que é o benefício de espécie 91. Esse é o ponto que diferencia tudo, porque existem dois tipos de auxílio-doença no INSS.

A terceira condição é a existência do chamado nexo causal. Isso significa que o acidente ou a doença precisa ter relação direta com o trabalho. Se o INSS entender que não há essa relação, o benefício concedido será o comum, e não o acidentário.

Dessa maneira, as três condições funcionam juntas. O afastamento superior a 15 dias, o recebimento do benefício 91 e o nexo causal entre o problema de saúde e o trabalho são todos necessários.

A CAT sozinha garante a estabilidade acidente de trabalho?

A resposta direta é: não. O simples fato de ter uma CAT aberta não garante automaticamente o direito à estabilidade acidente de trabalho. A CAT é um documento importante, mas ela sozinha não basta.

Por exemplo, pode acontecer de a empresa emitir a CAT, mas o acidente ter sido leve e o trabalhador não precisar se afastar por mais de 15 dias. Nesse caso, mesmo com a CAT em mãos, não haverá estabilidade.

Outro ponto relevante é que uma CAT emitida pelo próprio trabalhador não tem o mesmo peso de uma CAT emitida pela empresa. Quando o empregado abre a CAT por conta própria, o argumento pode ficar mais frágil perante o INSS.

No entanto, isso não significa que a CAT seja dispensável. Pelo contrário, ela é fundamental para documentar oficialmente o acidente ou a doença ocupacional. Além disso, a CAT aumenta as chances de o trabalhador conseguir o benefício acidentário.

A questão central é que a CAT, por si só, não preenche todas as condições necessárias. Portanto, o trabalhador precisa cumprir os demais requisitos para de fato conquistar a estabilidade.

Como funciona o processo para receber o benefício 91 e garantir a estabilidade

Depois de sofrer o acidente ou receber o diagnóstico da doença ocupacional, o trabalhador vai receber um ou mais atestados médicos. Se o tempo total de atestado for igual ou superior a 16 dias, será necessário solicitar o afastamento pelo INSS.

Para fazer essa solicitação, o trabalhador pode acessar o site ou aplicativo Meu INSS, ou então ligar para o número 135. Após o pedido, o INSS vai marcar uma perícia médica para avaliar o caso.

Na perícia, o médico do INSS vai verificar se o trabalhador realmente está incapacitado e se existe relação entre o problema de saúde e a atividade profissional. É nesse momento que se define o tipo de benefício que será concedido.

Se o perito confirmar o nexo causal com o trabalho, o benefício concedido será o de espécie 91, que é o auxílio-doença acidentário. Consequentemente, ao retornar ao trabalho, o funcionário terá direito à estabilidade acidente de trabalho por 12 meses.

Uma orientação importante é que o próprio trabalhador faça a solicitação junto ao INSS, ao invés de deixar a empresa fazer. Isso porque, na hora de preencher o pedido, existe uma opção para indicar que o afastamento é por acidente de trabalho, e algumas empresas podem não marcar essa opção corretamente.

Estabilidade de 12 meses: o que acontece durante esse período

A estabilidade de 12 meses começa a contar a partir do dia em que o trabalhador retorna às suas atividades na empresa. Durante todo esse período, o empregador não pode demitir o funcionário sem justa causa.

Isso significa que, durante um ano completo após o retorno, o emprego está protegido. Ainda assim, é importante saber que a estabilidade acidente de trabalho não impede a demissão por justa causa.

Ou seja, se o trabalhador cometer uma falta grave durante o período de estabilidade, ele pode ser demitido normalmente. A proteção é exclusivamente contra a dispensa sem justa causa.

Caso a empresa demita o funcionário durante o período de estabilidade por acidente de trabalho sem que haja justa causa, essa demissão é considerada irregular. Nesse cenário, o trabalhador tem direito à reintegração ao emprego ou ao pagamento de indenização referente ao período restante.

Portanto, a estabilidade de 12 meses é uma garantia forte, mas que precisa ser bem compreendida em seus limites e condições.

O que fazer se o INSS não conceder o benefício 91

Existe uma situação bastante comum em que o trabalhador tem uma doença ocupacional ou sofreu um acidente de trabalho, mas o INSS não reconhece o nexo causal. Nesse caso, o benefício concedido pode ser o auxílio-doença comum, e não o acidentário.

Quando isso acontece, em princípio o trabalhador não teria direito à estabilidade acidente de trabalho. No entanto, existe uma saída prevista na Súmula 378 do Tribunal Superior do Trabalho.

Segundo o Advogado Trabalhista Gabriel Pistore, a Súmula 378 do TST estabelece que, mesmo sem ter recebido o benefício 91, o trabalhador ainda pode ter direito à estabilidade de 12 meses. Para isso, é necessário comprovar judicialmente que a doença ou acidente tem relação com o trabalho.

Na prática, isso significa que o trabalhador pode entrar com uma ação trabalhista contra a empresa. Nesse processo, será realizada uma perícia médica judicial para verificar se realmente existe nexo causal entre a doença e a atividade profissional.

Se a perícia confirmar essa relação, o trabalhador terá reconhecido o direito à estabilidade, mesmo que o INSS não tenha concedido o benefício acidentário inicialmente. Por essa razão, é essencial guardar todos os documentos e exames médicos que comprovem o problema de saúde.

A importância de reunir provas para garantir a estabilidade acidente de trabalho

Independentemente de qual caminho o trabalhador precise seguir, a documentação é uma peça fundamental. Sem provas consistentes, fica muito mais difícil garantir qualquer direito relacionado à estabilidade por acidente de trabalho.

Os documentos mais importantes são os atestados médicos, exames complementares, laudos e a própria CAT. Além disso, qualquer comunicação com a empresa sobre o acidente ou a doença também pode servir como prova.

Fotos, mensagens de WhatsApp, e-mails e até depoimentos de colegas de trabalho podem ajudar a fortalecer o caso. Quanto mais provas o trabalhador reunir, maiores são as chances de sucesso.

Outro ponto relevante é manter organizados todos os comprovantes de comunicação com o INSS. Dessa forma, em caso de necessidade, o trabalhador consegue demonstrar que seguiu todos os procedimentos corretamente.

Quando é importante buscar orientação sobre a estabilidade acidente de trabalho

Existem diversas situações em que é fundamental buscar ajuda profissional. A primeira delas é quando a empresa se recusa a emitir a CAT após um acidente de trabalho ou diagnóstico de doença ocupacional.

Outra situação comum é quando o INSS concede apenas o benefício de auxílio-doença comum ao invés do acidentário. Nesse caso, pode ser necessário recorrer judicialmente para garantir o direito à estabilidade acidente de trabalho.

Também é importante buscar orientação quando o trabalhador é demitido durante o período de estabilidade de 12 meses. Essa demissão pode gerar direito à reintegração ou a uma indenização significativa.

Se o empregador não está respeitando as condições de retorno ao trabalho, esse também é um motivo para procurar ajuda. O trabalhador que retorna de um afastamento por acidente tem direito a condições adequadas para exercer suas funções.

CONCLUSÃO

Ao longo deste guia, foi possível entender em detalhes como funciona a estabilidade acidente de trabalho e quais condições precisam ser cumpridas para garantir esse direito. O mais importante é saber que a CAT sozinha não basta e que o benefício 91 é a chave para a estabilidade.

Mesmo nos casos em que o INSS não reconhece o nexo causal, ainda existe a possibilidade de buscar a estabilidade por acidente de trabalho pela via judicial, conforme a Súmula 378 do TST. Portanto, nenhum trabalhador deve desistir de lutar pelos seus direitos.

Se você sofreu um acidente de trabalho ou desenvolveu uma doença ocupacional e tem dúvidas sobre a sua situação, pode ser o momento de buscar uma orientação especializada. Uma análise profissional pode identificar se os seus direitos estão sendo respeitados.

Para quem deseja entender melhor o seu caso, é possível entrar em contato com o Advogado Trabalhista Gabriel Pistore, especializado na defesa dos direitos dos trabalhadores. Uma conversa inicial pode esclarecer muitas dúvidas e indicar os caminhos mais adequados.

Você pode falar diretamente com o Dr. Gabriel Pistore pelo WhatsApp e receber uma orientação personalizada sobre o seu caso.

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